Antonio Luiz

O mundo antes do desbotamento

há sombra que não se mete no escuro da noite

e outras que se mostram mesmo longe  da  Lua

avião que não sobe precisa de  mais  cataventos

e mar difícil se derrete por barquinhos de papel

 

há desculpas perfumadas só pra cheiro de pum

e tanto amor num sopro quanto em Merthiolate

joelho é uma peça que se dobra pra ralar caçada

remela, maldade de mundo em olho de moleque

 

há tanta doçura no colo que o dente de leite cai

e tanta verdade criança que não cabe em adulto

meu arco-íris nunca padecerá de desbotamento

há meio tons, e tons e meio, como eu o avivei

 

– esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 28/05/26 –