Rotina
“É… outro dia como todos os outros.
Mas não posso parar. Não posso correr.
Então… vou me levantar como sempre, trabalhar como sempre, voltar exausto como sempre.
É revoltante. Tudo isso por um papel sem valor. Por quê?
Porque as pessoas não sabem dividir. Tudo para os humanos é troca, não divisão.
O sorriso virou suor. O suor virou lágrimas, que se tornarão sangue um dia.
Perdemos tempo com a família, amigos, momentos preciosos… por nada.
Nós produzimos tanto, mas não usufruímos de nada.
O mundo é uma grande máquina de produção. Nós somos as engrenagens que giram até enferrujar. E quando uma quebra? Ninguém para. Somos trocados.
O sistema não nos enxerga como pessoas, e sim como estatísticas de produção. Lentamente, nos tornam robôs, sem emoções. Porque precisariam de emoções?
Emoções geram pensamento. Pensamento gera revolta.
Eles não precisam disso. Precisam de marionetes que possam controlar.
Mas, enfim… não dá para começar uma revolução sozinho.
Então, mesmo sabendo de tudo, tenho que fingir que meus olhos estão fechados e ir trabalhar mais um dia.”