Antonio Luiz

A arte de engabelar maldades

aprendi com minha avozinha

que  até olho ruim se vê assustado

se a gente cobre os espelhos da casa

com paninhos cheirando a arruda

 

tão sábia, espantava pesadelos

fazendo sonho voar antes do susto

bordando – sobretudo – passarinhos

nas alvas fronhas dos travesseiros

 

e planejando enganar tempestade

certa noite nos beijou muito cedo

e foi dependurar sininhos de brisa

nos varais sob o nosso arvoredo

 

eu mesmo tenho tapeado muita dor

cometendo uns pequenos disparates

afiando umas espadas-de-são-jorge

com guiné, comigo-ninguém-pode

 

pra que ela me olhe, tenho rezado

e de vez em quando eu até a escuto:

– Menino, é que o mal, lá no fundo,

tem faro de coisa que não se cuide!

 

 

– esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 27/05/26 –