Conversas corriqueiras
Vida animada e festeira
receba a flor amada
a cerveja gelada
o sol emaranhado nas entranhas de sua pele negra
o brancor da sua alma albina por demais reflete e cega meus olhos
minha pele grita por demasia teu querer e tua vontade libertina de ser o que é
volta e meia chama entre meus ouvidos o sabor da saudade e do amor não vivido
como saber o que é? quando não se sabe quem é?
Animada e festeira se encontra apenas meus sentimentos inanimados e infantis
o levantar corriqueiro da minha vida se rebela por todo o tempo na minha existência interna e externa
- ó garota, não sei mais como levar em diante isso tudo! (o meu pensar e esse seria meu dizer)
nas entrelinhas de meus pensamentos confusos e depreciativos
como voltar? não há alternativas
mas como dizem sempre há alternativos e seletivos caminhos
entretanto, sempre quando falam, é como se somente houvesse apenas um único e estreito, quiçá, até longo caminho
escrevo, pois a vontade de gritar é imensa.
e não há saída, assim bem acho.
- pois, olhe lá fora! olhe o samba, a dança, a festa dos bares, o luar, o lado praiano do viver brasileiro,
o amor, a paixão adolescente...
- isso que tens a me dizer? o sempre me assusta, mas no final me conforta.
-ó garota, pq me disseste tudo isso? queres que eu fique e permaneça nesta escuridão?
Mas bem sabe que toda minha alegria se encontra no luar da arte, no luar das crianças, e no luar da beleza infantil
dói-me saber e experimentar a dor da desconfiança, da traição, do lado serpenteiro de um ser e de um viver maligno
entretanto, que ser humano, na face desse imenso luar, não há de experimentar tal dor e aflição?
que diferença me encontraria? diante de todas pessoas nesta terra?
nenhuma! e pois assim serei e continuarei minha imensa e angustiante caminhada
parece pouco, e até diriam que nada seria, e nada sei. Pois bem concordo e bem concordarei, acaso venhas me cobrar, agora ou adiante destes fatos
- Mas garota, se tanto sabes e entendes. Porque não tiraste esta montanha de vazio que se encontra instalada dentro de mim?
perguntas e vontades que não serão respondidas no meu gostar, muito menos no meu entender
terei que me engalfinhar e me arrastar, talvez esse seja meu castigo ou minha redenção?
Converso com o nada e com o tudo ao mesmo tempo e ainda sim, converso sozinho
escrevo tudo e escrevo nada, renitentemente e permanentemente escreverei, até essa dor escapulir peito á fora, dimensão á dentro.
Autoria: GabrielMaria