Gabrielmaria

Conversas corriqueiras

Conversas corriqueiras 

 

Vida animada e festeira 
receba a flor amada 
a cerveja gelada
o sol emaranhado nas entranhas de sua pele negra 
o brancor da sua alma albina por demais reflete e cega meus olhos 
minha pele grita por demasia teu querer e tua vontade libertina de ser o que é 
volta e meia chama entre meus ouvidos o sabor da saudade e do amor não vivido 
como saber o que é? quando não se sabe quem é? 

Animada e festeira se encontra apenas meus sentimentos inanimados e infantis 
o levantar corriqueiro da minha vida se rebela por todo o tempo na minha existência interna e externa
- ó garota, não sei mais como levar em diante isso tudo! (o meu pensar e esse seria meu dizer)
nas entrelinhas de meus pensamentos confusos e depreciativos 

como voltar? não há alternativas
mas como dizem sempre há alternativos e seletivos caminhos
entretanto, sempre quando falam, é como se somente houvesse apenas um único e estreito, quiçá, até longo caminho

escrevo, pois a vontade de gritar é imensa.
e não há saída, assim bem acho. 

- pois, olhe lá fora! olhe o samba, a dança, a festa dos bares, o luar, o lado praiano do viver brasileiro,
o amor, a paixão adolescente... 

- isso que tens a me dizer? o sempre me assusta, mas no final me conforta. 

-ó garota, pq me disseste tudo isso? queres que eu fique e permaneça nesta escuridão?

Mas bem sabe que toda minha alegria se encontra no luar da arte, no luar das crianças, e no luar da beleza infantil 
dói-me saber e experimentar a dor da desconfiança, da traição, do lado serpenteiro de um ser e de um viver maligno 
entretanto, que ser humano, na face desse imenso luar, não há de experimentar tal dor e aflição?
que diferença me encontraria? diante de todas pessoas nesta terra? 
nenhuma! e pois assim serei e continuarei minha imensa e angustiante caminhada
parece pouco, e até diriam que nada seria, e nada sei. Pois bem concordo e bem concordarei, acaso venhas me cobrar, agora ou adiante destes fatos 
 
- Mas garota, se tanto sabes e entendes. Porque não tiraste esta montanha de vazio que se encontra instalada dentro de mim? 
perguntas e vontades que não serão respondidas no meu gostar, muito menos no meu entender 
terei que me engalfinhar e me arrastar, talvez esse seja meu castigo ou minha redenção? 

Converso com o nada e com o tudo ao mesmo tempo e ainda sim, converso sozinho
escrevo tudo e escrevo nada, renitentemente e permanentemente escreverei, até essa dor escapulir peito á fora, dimensão á dentro. 

Autoria: GabrielMaria