Diógenes Fabricius

Deixe-se

Quando as ondas forem altas, 

Quando a maré te superar,

Aceita. Se afogue, até onde puder.

Conserva fluindo do teu coração,

Esta simples transformação: 

A onda forte, ela quebra, a maré sobe, a maré desce.

 

Quando as ondas te permitirem brincar,

Quando conseguir encher os pulmões de ar,

Deixa o sol te atravessar. 

Deixa tua pele sentir. 

Se deixe sorrir.

 

Não fique torturando-se, 

Deixe-se, olhe bem, elas nem superam as tuas canelas.

Não engane-se, divirta-se, são apenas marolas.

 

Veja as flores. 

Elas se contorcem, com todas as belezas, também morrem.

Fale com as árvores, 

Elas são mestras, permanecem, 

Nos dias em que o céu chove, elas choram, dobram-se, e seguem...

 

É apenas um pensamento, é apenas uma sensação.

 

Respira. Seja parte da vista. Seja cada estação.