I. Preliminares (Andante Con Moto)
O silêncio cede ao toque, o ar se faz corda,
O violão arpeja o orvalho na pele que se descobre.
O violoncelo, em seu grave sussurro, concorda,
Desenhando mapas onde o desejo se abre e se cobre.
Mãos que dedilham o dorso, um prelúdio de seda,
Onde o ritmo é promessa e a pressa é pecado.
Cada nota é um beijo, uma trilha, uma vereda,
No compasso lento de um corpo despertado.
II. O Ato (Allegro Vivace)
O tempo estala, o arco corta o ar em espasmos,
O violão responde com a urgência da carne que se funde.
Não há mais pausas, apenas os ritmos, os abismos e os pasmos,
Enquanto o metal e a fibra no suor se confundem.
Profunda entrada, o compasso agora é um só,
Dois corpos em contraponto, uma melodia febril.
Cada estocada, um acorde, um desatar de nó,
Na volúpia de um arco que incendeia o fio, o perfil.
III. Clímax (Presto Agitato / Finale)
O ápice irrompe, um fortíssimo que rasga o limite,
O violoncelo soluça o agudo da rendição absoluta.
O arpejo se estilhaça, no êxtase que tudo permite,
Na explosão dos sentidos que o gozo executa.
O som que vibra e ecoa, a nota que enfim se prolonga,
Enquanto a música morre na pausa do peito que ofega.
O silêncio retorna, e a alma, em sua longa,
Muda melodia, descansa na paz que nos nega e nos entrega.