Não preciso repetir, não preciso falar algo
Apenas aconteceu, sem desculpa ou explicação para dar
Não significa que eu goste, não significa que quero que aconteça de novo
E no meu íntimo, eu senti vergonha, por mostrar quem eu era
Poderia ser o início, poderia ser o final
Alguns morrem, já eu, estou vivo
De algum jeito, de alguma maneira, sobrevivendo dentro da jaula
Não precisa ter sentido, não precisa que entenda
Sou apenas um rabisco, um misto, vários cortes, nenhum se encaixa
Mas, não vou ficar queimando todas as pontes
Nem jogar no lixo a dedicação, estou cansado de me jogar na fogueira
Sem lágrimas externas, apenas as internas
Não posso voltar atrás, pedir desculpas não adiantaria, só não quero fazer de novo
Mas, infelizmente, vontades mudam como o tempo
Então, coloquei a coleira no pescoço, a focinheira no rosto
Não posso confiar em mim, sinto muito por todo mal que causei
Se eu pudesse dizer algo, apenas seria que eu já não sou mais o mesmo
Entre arame farpado, pregos cravados, barras de ferro
Em uma luta tão evitável, estive desgastando todos os meus dentes
Com o sangue caindo e sem conseguir estancar
Sim, já fazem anos, você já se sentiu incompleto alguma vez?...