O dia já começa me puxando pelo braço,
sem pedir licença, sem me dar espaço
é pressa no peito, é mente acelerada,
é o mundo inteiro cabendo na minha jornada.
Mil vozes me chamam ao mesmo tempo,
sou caos, sou foco, sou puro movimento,
me perco em telas, demandas, razão…
mas sigo inteira, firme na imensidão.
E no meio disso tudo, eu sinto.
Sinto que estou viva, e isso me atravessa,
como um sopro quente que insiste e não cessa,
porque apesar do peso, do ritmo insano,
existe um brilho que não cabe no plano.
Meu coração pulsa alto, indomável, aceso,
carrega cansaço… mas nunca o desprezo
pela dádiva crua de simplesmente existir,
de ainda ter sonhos querendo florir.
E um deles cresce, inquieto, vibrante,
um projeto novo, quase gritante,
me chama baixinho, mas ecoa em mim,
como quem sabe: “isso é só o início, enfim.”
Então que venha o caos, eu danço com ele,
entre o limite e o que ainda me impele,
porque no meio da pressa, da dor e do riso,
eu sou esse fogo que insiste, e improviso.