Eulinda Brícia da

Vida vazia

Andei por uma rua escura e fria,
casas abandonadas, outras distorcidas,
sem moradores aparentes.


A escuridão é profunda,
um túnel sem fim.
Noites sem dormir,
olhos cansados de tanto chorar.


A magreza em meus ossos,
tristeza em meu olhar.


Calma... tudo vai passar.


Vida pesada,
amores sem resposta,
sonhos desperdiçados
e uma solidão contínua.


Vem mais um dia —
o sol, às vezes quente,
às vezes se esconde
para chorar sem lágrimas.


A noite surge com um punhado
de estrelas sem brilho;
às vezes, nuvens que
correm com o vento.


A madrugada me aperta a saudade
de algo que nunca tive.


O frio aparece como um
inimigo feroz —
não me deixa nem respirar.


Uma tosse seca, um pigarro na garganta
me fazem lembrar que ainda estou viva.


Tomo um chá para melhorar,
para aquecer meu corpo morto de frio,
mas, parece não adiantar muito:
continuo sentindo a falta de algo.


Um dia após o outro,
a vela vai se consumindo
e se apagando lentamente.


Por que sinto falta de algo?
Será que foi o bem que deixei
de fazer a outro, sem perceber?
Um amor que não quis,
um abraço que recusei,
uma visita que não fiz,
um adeus que nunca disse,
um beijo que nunca roubei,
uma paixão de que fugi...


Mas, agora já é tarde demais:
a vela já está no fim
e prestes a se apagar.


Desejo e Solidão iram comigo.
Amei os que não me amavam,
com desejo voraz.
Queimei de paixão na cama
com quem só desejava o meu corpo.
Perdi noites em festas,
tentando saciar minha sede de prazer.


Corri uma maratona de desejos fúteis,
e o que me restou foi uma grande solidão.
O que eu desejo?
Um carinho doce,
um abraço sem maldade,
uma companhia para o fim dos meus dias.
E o que eu tenho?
Um punhado de cinzas do passado,
e uma tristeza que insiste em ficar.