Gabrielmaria

Aranhas e teias em meu ser

Aranhas e teias em meu ser

 

Espadas e cruzadas entoadas ao entardecer enevoado

 

Surgimento de mais uma luz estrondeante

 

Pelos meu ouvidos e olhares mudos e cegos devido à tristeza e à raiva alarmantes em meu coração

 

Escutando apenas as batidas da bateria, melodia daquela chorosa guitarra, o teclar do piano e o afinar das vozes em sofrimento

 

Serafins? Anjos? Demônios? Nunca entendo o que dizem, apenas percebo e analiso o movimentar de meu corpo em sintonia com a música

 

Observando o balançar de minha alma que longínqua e distante queria estar

 

Latidos de meus pequenos desejos e vozes de meus queridos amigos solitários

 

Que quando olhados são, pela volta da atenção imposta. Desaparecem na sacada, esvaindo-se pelo portão à fora

 

Mas querer e quero listar apenas a sensação marcante em meu ser, de sempre estar flutuando no baixar de uma água gelada e azulínea

 

Que por ora implora socorro silencioso, mas expressivo devido ao abrir da boca e o marejar dos olhos

ora sorri por sentir alguma coisa, mesmo que sufocante e doloroso seja

 

As teias formadas em meu corpo, células à dentro, fizeram com que momentos e dores ficassem retidos. Como uma aranha prega suas presas e depois as comem vivas

 

Assim me sinto, um dia, esses momentos e essas dores renitentes me comerão vivo

 

Pois nunca conseguirei ver-me livre dessa grande e ruminosa aranha que as coloca lá, em forma de aviso ou alarde. E as observa até que sua insaciável fome a consuma por completo

 

Enquanto não sacia, espero por meu fim...

-- Próximo ou não!

 

Autoria: GabrielMaria