Rodrigo Melo

HISTÓRIA SIMBÓLICA DE JERUSALÉM (EZEQUIEL 16)

No deserto encontrei 

uma menina que no sangue se debatia.

Disse à ela: Vive! 

E cheia de vida crescia.

 

Estava despida e suja

Decidí banhá-la e cobri-la,

e como meu amor vai além,

a cerquei de adornos e 

pus-me a ungí-la.

 

Pedí a sua mão 

e ela me amando cedeu,

com ela me casava,

cheia de gratidão se encontrava.

 

Porém ,chegando o tempo das paixões,

Por sua própria beleza se iludiu,

ela bem que lutava, muitas vezes caiu. 

De corpo e alma se prostituía

mas, dela, nunca desistia.

 

Com as vestes que lhe dei 

fez tendas para ocultar seus erros 

E com as jóias que a adornei 

derreteu para fabricar falsos deuses.

 

Porque sou lento para a cólera (Ex 34,6) 

e rápido no amor,

logo propus uma nova aliança

e ela aos poucos a encarnou.

 

Não sabe o que falar,

envergonhada por Minha iniciativa,

cheia de gratidão diante de tal amor,

seu coração é alegria e dor.

 

Agora, com rins cingidos

e lâmpadas acêsas, (Lc 12,35)

vigia a lutar, para a aliança 

não mais quebrar.