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Algumas presenças têm cheiro de paz depois da tempestade

O domingo amanheceu dourado,

como se São Paulo tivesse esquecido, por algumas horas,

o peso dos próprios prédios.

 

O café da manhã tinha gosto de calma,

e as conversas lentas pareciam segurar o tempo

antes que ele voltasse a correr.

 

Depois, a igreja.

Louvores atravessando o coração

como luz entrando por frestas antigas.

Deus, silenciosamente,

arrumando lugares em mim

que eu já havia abandonado.

 

À tarde,

o cinema e

as ruas cheias de gente tentando existir.

 

Então o céu mudou.

 

A cidade ficou cinza,

os vidros cobertos de chuva

e os faróis dissolvidos no asfalto molhado

como memórias difíceis de apagar.

 

Mas, estranhamente,

havia paz.

 

À noite, pizza, gargalhadas,

e o conforto raro

de perceber que alguns encontros

fazem a vida voltar a ter som.

 

E enquanto a chuva caía sobre São Paulo,

entendi que talvez os finais não sejam sempre iguais.

 

Talvez exista mesmo

beleza depois do caos.