Fábio Alves Leão

ENGENHARIA POÉTICA

Na prancheta da mente, o poeta engenheiro,
Traça sonhos em linhas, paciente e certeiro,
Como quem ergue pontes sobre o vão da emoção,
Faz da palavra cimento, da saudade, fundação.

 

A engenharia calcula o peso da matéria,
A poesia escreve a dor, a paz, a miséria,
Uma mede concreto, aço, esforço e pressão,
Outra mede silêncios no peito e no coração.

 

O engenheiro projeta colunas para o tempo,
O poeta edifica memórias ao relento,
Cada verso é um tijolo, assentado devagar,
Para que o amor e a dor não venham desabar.

 

Há plantas e há metáforas, em perfeita harmonia,
Uma desenha edifícios, outra inventa poesia,
Pois toda grande obra, seja ponte ou canção,
Nasce primeiro invisível, no chão da imaginação.

 

Se a vida é construção entre quedas e esperança,
O cálculo é prudência, o poema é confiança,
E no canteiro da alma, onde o destino faz lei,
O engenheiro constrói o que eu, poeta, sonhei.

 

Porque há algo em comum, nesta arte tão bonita:
Toda obra bem erguida pede alma infinita,
Seja em ferro e concreto ou em rimas a nascer,
É preciso projetar antes de acontecer.