moloch

Arthur Michel Santos

Na verdade, eu não sou uma

pessoa, eu sou arte. Sou para

todo povo. Por isso atraente 

para uns, terrível para outros

 

Sou música que ressoa e

ensurdece os ouvidos, sou 

sala de cinema vazia, pronto

pra ser assistido. Um teatro

precário com atores falidos

 

Sou instrumento desafinado, 

mas tenho um som bonito. 

Sou palhaço engraçado, 

fazendo graça sem um circo

 

Sou um movimento solitário

de bailarina que não cansa. 

Eu sou um livro completo de Kant

traduzido para criança

 

Sou construção contemporânea, 

sólida e fácil de derrubar. Sou

a escultura de argila que não

espera o tempo de secar

 

Sou o tempero amargo, salgado, 

azedo e apimentado. Sou tigela

de vidro rachada, com prato bem

montado

 

Sou sensível sim, e continuarei

sendo. Para dar um fim no meu

corpo artístico, só se eu acabar

morrendo