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Chega!

 

Meu azul coração, por outra madrugada abandonado estava

A lua era cúmplice, ela está habituada

Até o jazz chorava na nota arrastada

Por uma sombra que me encarava

Sinto-me assombrado, sinto-me apavorado

 

O amor fadigava de minha caneta

E voltava-se ao meu pergaminho

Quase como um clamor, era ardor

É uma imagem nua, um pensamento sóbrio

Está me consumindo, tomado pelo anseio

 

Preciso te encontrar, animar minhas friezas

Te admirar, te priorizar, te contemplar

Relembrar o significado de leveza

Artesanar pérolas e dançar na avenida das lágrimas

Intuir poetas apegados à ternura

Ouvir o vento cantar, presenciar a alvorada

E prover-me de perfumes etéreos

 

Chega!

 

Isto é paixão! E dessa vez sem murmuração

Não quero lamentações, quero seu aforismo

Quero seus lábios desabrochando em cadências

Quero poder sonhar sem mitigar a mente

Sufoca-me aguardar outra noite

Divindade que seja! Estou implorando pelo retorno

Abandone esse inverno, a primavera tem que florescer

Sinta-se em minha alma, caia nesse encanto, olhe esse exagero

Diga-me que me ama

E replicarei com um dilúvio