Um olhar de perdão
Que constrange minha ilusão
Meu coração atordoado
Pelo fruto sempre tentado
Mãe do céu, lembra, sou batizado.
Eu tenho um coração
E quero a paixão
Mesmo que me quebre em cacos
Sou um erro obstinado
Pai, Dá-me a herança
Minha intenção é santa
Porque com um milhão de rezas já tentei
Bato a porta, descontrolado, dedos calejados
Não me importo com o escuro
Vou conhecer o mundo
Meu desejo me devora
Minha intenção se enrola
No teu fardo eu sou peso
No teu jugo eu sou violento
A verdade é que essa crueza me atrai
Sem anjos para me cuidar
Sob a indiferença do luar
De toda a segurança escapar.
Julgam-me então?
Mas não é de desejos que me fizestes?
Negar a mim, não é negar o barro em tuas mãos?
Perdoa-me então?
Só tu compreendes tua criação.