Diógenes Fabricius

O desejo da tua criação

Um olhar de perdão 

Que constrange minha ilusão 

Meu coração atordoado

Pelo fruto sempre tentado 

Mãe do céu, lembra, sou batizado.

 

Eu tenho um coração 

E quero a paixão

Mesmo que me quebre em cacos

Sou um erro obstinado 

 

Pai, Dá-me a herança 

Minha intenção é santa

Porque com um milhão de rezas já tentei 

Bato a porta, descontrolado, dedos calejados

Não me importo com o escuro

Vou conhecer o mundo

 

Meu desejo me devora

Minha intenção se enrola 

No teu fardo eu sou peso 

No teu jugo eu sou violento

 

A verdade é que essa crueza me atrai

Sem anjos para me cuidar 

Sob a indiferença do luar

De toda a segurança escapar.

 

Julgam-me então?

Mas não é de desejos que me fizestes?

Negar a mim, não é negar o barro em tuas mãos?

Perdoa-me então?

 

Só tu compreendes tua criação.