Damião Soares

Desconhecido Caminho

 

Poeta sem queixa

Num caminho contrário

Compromisso sem horário

Por favor, me deixa

 

Escreva aqui à mão

Neste papel encontrado

Um endereço e um contato

Que me traga direção

 

A internet não funciona

E o telefone sem sinal

Oh, jovem intelectual

Porque tanto se aprisiona?

 

Uma casa na escuridão

Com brilhos de vagalume

Morador que tem costume

Ainda terá boa visão

 

Ele ascende o lampião

E encontra a velha estrada

Mas de repente uma rajada

Cessa todo o seu clarão

 

Não avista um vizinho

Que possa lhe trazer luz

E isso já o conduz

Ao desconhecido caminho.