À todas pessoas com amigos percevejos
A bela borboletinha transformada, deu-se a futilidade de pensar,
seria ela melhor que outrora? A era da pulpa a fez inerte a estes assuntos,
mesmos nos vôos, pensava,pensava…..
Melhor estava depois da renascença? Após os tormentos do exílio, ai dela,
teria a sua curta vida para saber, se suas mudanças a fizeram melhor,
mesmo dolorosa, mesmo com um peso na consciência, melhor estava?
Enquanto lagarta gulosa, fez uma amizade sincera com um amável percevejo,
amiguinho feliz e contente, jamais predador, dava-se para a lagartinha.
Passava-se meses, mas os dois ficavam fortes, com uma amizade de puro ferro,
com a lagarta fazendo de si a morada dos sofrimentos, das angústias e dos amores, sem discriminar, de seu amigo o percevejo, chato paca, mas amigo.
Isso seria uma gritaria romântica, certo? Os dois se faziam amantes sem leito,
intimidade vestida e contato sem cópula, mas estes não faziam menos bela,
a amizade, que se dava além do ato, mesmo com palavras veraneicas.
No entanto, uma coisa os diferenciava, mesmo com muitas semelhanças,
a biologia de ambos era oposta, um era mais recluso, o outro queria ser a borboleta do amanhã, o que fariam? Os opostos físicos se juntam, certo?
De certo, a física ama os opostos, mas a união percevejo e lagarta,se fez morta,
o percevejo, raivoso pedia para a biologia mudar, mutar a futura borboleta,
ser igual a ele em tudo, de seu aspecto recluso a seus gostos de vida, possível?
A chatice dele era única e exclusiva de sua amiga, lagarta chata, sempre dizia,
Inconveniente e o daria vergonhas, a mudança era óbvia, viraria sim um percevejo, ou seria uma borboleta longe dele.
A lagarta seria contra a sua natureza? Jamais, sempre dizia, mas queimava a alma, queria seu amigo percevejo por perto, mas logo seria devorada por ele,
nunca seria borboleta, seria um percevejo ou comida de um.
Por isso, mesmo com dor na alma, afastou-se dele, mesmo com a queima de suas feridas, a morte de sua alma, mas seguiu seus trabalhos, com uma dor incomum,
com o percevejo, por longe de si, com suas novas lagartas, feliz e contente.
Entretanto, uma borboleta camarada, ajudou sua amiga, aconselhando a fugir
desse percevejo maníaco, e trouxe-lhe de volta a bondade na alma da lagarta,
isto sim foi um conselho fraterno, que no posterior, a lagarta será uma bela borboleta.
Ao fim de todo esse problema, a biologia venceu, os predadores, longe estão,
e as lagartas unem-se fraternalmente a suas iguais, em bondade, em sua pulpa-
casa de hoje, lembrança de amanhã.