Hoje me defrontei com o presumível retrato;
Aquele em que eu forçava pintar da minha vida.
Refleti procurando o seu sentido mais lato,
enquanto me desviava à procura de uma ambição indevida.
Cruzei com o retrato daquilo que poderia vir ser
e só através das tombadas é que pude entender;
Um retrato ilustre e bem mais bonito já existia;
Um bem melhor do que aquele em que eu perseguia.
Por longo tempo, tive a liberdade de pintá-lo à minha maneira;
E me desviava por entre ciclos, sem eira e sem beira.
Nunca pensei que o caminho fosse tão reto,
para perseguir o que já estava escrito por certo.
A ignorância tomou conta de mim,
assim como o jardineiro, que toma conta do seu jardim.
Mal sabia eu que só necessitava de acender a luz,
para afastar o fardo que eu carregava como cruz.
O escuro convidou intervenientes a pisar no meu retrato;
A fazer de mim um gato-sapato.
Felizmente que a luz ilumina a consciência;
Já não preciso de lutar tanto contra a resistência.
Sou possuidora de um retrato bem mais valioso,
que requer ser avaliado com maior nitidez.
Exijo de mim um instinto mais poderoso,
para entender a pintura que o Senhor me fez.