Caminho na praça e o vejo no chão,
Um pobre pombo caído, vencido pela dor,
Pisca lentamente na sua solidão,
E eu me pergunto, tomada de temor:
?Deveria eu livrá-lo do sofrimento?
Que direito tenho eu de decidir?
Mesmo se tivesse, nesse momento,
Eu não seria capaz de o ferir.
?Cair e ficar caído, sentindo a agonia,
Sem conseguir morrer, preso ao chão...
Por que me identifiquei com o que via?
Por que senti com ele essa conexão?
?Talvez porque sinto que estou afundando,
Lenta, silenciosa, na escuridão,
O ar que me sustenta vai se esgotando,
E eu não sei como emergir da aflição.
?Horas depois, retorno ao lugar,
Apenas penas restaram ali...
Quem o desfez? Quem veio arrancar
A vida da criatura que eu vi?
?Animais ou humanos no rastro do vento?
Quem despedaçou o que já sofria?
E o medo me vem como um tormento:
Quem vai me despedaçar algum dia?
?Não quero sumir, não quero sucumbir,
Eu quero de volta a Tua luz!
Minha alma, em segredo, insiste em pedir,
Conversa Contigo na noite que conduz.
Quais são os planos para quem caiu?
Para uma alma ferida que implora perdão?
Me ajuda, meu Pai, antes que o frio
Me dilacere por completo o coração.