Ah! Quando desce a noite sobre os pátios
E os astros surgem na quietude do arrebol,
Recordo os teus delicados e brandos lábios
Viçosos como tâmaras douradas ao sol.
Teus olhos negros, tão vastos e sonhadores,
Possuem a languidez das noites do Oriente;
Pois neles repousam antigos esplendores
Que infundem em mim um amor ardente.
Às vezes penso que por mim terás paixão,
Desejando-me nas noites de pálido luar,
E que as tuas mãos, em suave inclinação,
Algum dia, ainda que tarde, vão me tocar.
Enquanto isso, cultivo no peito cansado
O teu nome como um perfume de jasmim;
Pois mesmo tímido e pelo tempo velado,
Ainda sonho ver o teu olhar repousar em mim.