Antonio Luiz

Verso, anverso e inverso do verso

no anverso do poema

havia uma ave pousada em meu nome

 

no verso, entre outros retratos falantes,

um portão de ferro resmungando saudades

uma criança lambuzada de pés de moleque

um jovem maquinando seu tempo perdido

alguém revirando conchas, incessantemente

e uns espaços, que recitavam seus silêncios

 

mas no inverso daquele apanhado de versos

havia um campo bisonho qualquer sem papel

onde as palavras pastavam deitadas e mudas

e toda a lógica batalhava até que se perdesse

ressecando num sol que se punha – por dentro

 

e cada verso era uma febre menor do poema

 

 

– esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 22/05/26 –