no anverso do poema
havia uma ave pousada em meu nome
no verso, entre outros retratos falantes,
um portão de ferro resmungando saudades
uma criança lambuzada de pés de moleque
um jovem maquinando seu tempo perdido
alguém revirando conchas, incessantemente
e uns espaços, que recitavam seus silêncios
mas no inverso daquele apanhado de versos
havia um campo bisonho qualquer sem papel
onde as palavras pastavam deitadas e mudas
e toda a lógica batalhava até que se perdesse
ressecando num sol que se punha – por dentro
e cada verso era uma febre menor do poema
– esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 22/05/26 –