Soprano ecoando ao vento,
tua voz lateja em tormento.
A culpa sempre grita mais alto,
e a tua dor... me deixa frágil.
Eu não te amo —
eu te gosto;
te prendi num estado tão mórbido.
E você se recusa a perceber,
até o mundo a tua volta desflorescer.
O delicado desconforto retorna,
rasgando o teu peito em águas mornas.
Te fere com lâminas macias,
te afunda na própria melancolia.
A tua culpa eu abracei.
Te namoro sem merecer.
Se eu partir, você vai morrer.
Se eu ficar, você vai... sofrer.
Uma bola nevada — cheia de sentimentos impuros;
uma avalanche incerta te deixa sempre em apuros.
Ergues o candelabro pra tentar sentir a clareza,
mas você esqueceu: ele é fraco... inútil...
frágil demais pra tua pureza.
Tua voz me cala no meu último desejo:
te libertar do nosso penúltimo cortejo.
Esculpida em traumas que não suporta viver;
Carcomida por demônios... onde o amor se confude com prazer.
Minha Anjinha... eu quero te ver voar,
o inferno teme a chance de você estar lá.
Eu te faço mal — mas você não vê.
Eu te quero bem... eu queria te entender.
Ficar contigo é a resposta certa?
E se eu não te amar da maneira correta?
O que é o certo? O que é o incorreto?
Pra quê me questionar — se eu só te quero por perto.
barítono esvaindo ao vento;
meu olhar chora em lamento.
A minha culpa se contorce por dentro —
um órgão candente, pulsante adentro.
E, quando finalmente o meu coração se rasgar;
pecados colossais começarão a se chocar.
Pela última vez, absorvo o veneno entre as tuas feridas —
Por favor... voe... viva... ame... e não relute ao se afastar das velhas entranhas.