#A Língua É Casa
Claudio Gia, Macau RN, 21/052026
A língua é casa onde me reconheço,
nela a nação respira seu sotaque.
Mas a fala do outro também me enriquece —
o diálogo é a ponte, nunca o muro.
No mesmo dia em que celebramos a palavra,
abraçamos o afeto: laço de padrinho,
confiança que não pede sangue ou lei,
só o cuidado que faz florir o vínculo.
E enquanto a cefaleia lembra o frágil corpo,
e o leite doado recomeça a vida,
e o físico decifra a ordem oculta
e o defensor ergue a voz do esquecido —
uma só data guarda tantos sentidos
quantas são as culturas no Ribeira.
Pois a diversidade não é mosaico morto:
é o rio que corre, misturando águas,
é o indígena, o caiçara, o quilombola,
o polonês, o japonês, o português
tecendo, juntos, o mesmo amanhã.
Hoje, 21 de maio, celebramos
o que nos faz humanos:
a língua aberta, o afeto livre,
o mundo plural onde cabemos todos.