#Pedagogia do Assombro
Claudio Gia, Macau RN, 20.05.2026
O pedagogo não carrega giz,
carrega a pergunta que ainda não nasceu.
Seu ofício é o intervalo infeliz
entre o que o mundo impôs e o que o homem teceu.
Não decora planos, decora esperas:
sabe que o saber não é linha reta.
Onde a fôrma repete suas trincheiras,
ele planta a dúvida — quase uma dieta.
Na sala de aula ou no chão do gestor,
seu mapa é feito de esquinas sem placa.
Ele educa o sistema com o rigor
de quem ensina o vento a não ser barraca.
E se falta um pedagogo por escola,
não é falha de ofício — é falha de espanto.
Pois quem educa não é quem controla,
é quem devolve ao aluno o direito ao canto.
Que venham as abelhas, os genéricos, os tantos,
mas que venha também o pedagogo-criança.
O que forma não são os diplomas santos,
mas quem escuta a gira e muda a aliança