Antes mesmo de existirem,
eu já amo vocês. E já escuto passos pequenos
correndo pela casa dos nossos futuros.
Amo no silêncio das madrugadas,
nos sonhos que escondo do mundo,
na esperança quase dolorida
de um dia ouvir alguém me chamar de mãe.
Porque em algum lugar do futuro,
eu consigo ver você,
CF ou CJR…
Correndo pela casa com os olhos do seu pai
e o meu jeito sentimental demais.
Consigo imaginar suas mãos pequenas segurando as minhas,
sua voz sonolenta dizendo que teve medo da chuva,
e eu prometendo proteger você
de tudo aquilo que um dia me feriu.
E então vem ela.
Acsa.
Doce como oração sussurrada antes de dormir.
Forte como menina que nasce para iluminar a casa inteira.
Eu consigo vê-la usando minhas roupas escondida,
roubando flores do jardim,
deitando no colo do pai
como se o amor fosse a coisa mais segura do mundo.
E talvez seja.
Porque eu imagino nós quatro
como quem imagina um milagre.
Você chegando cansado do trabalho
e encontrando desenhos tortos espalhados pela sala.
Acsa dormindo no seu peito.
CF ou CJR querendo contar mil histórias ao mesmo tempo.
E eu olhando tudo em silêncio,
tentando entender como um coração consegue sobreviver
a tanto amor de uma vez só.
Quero ensinar aos nossos filhos
o amor que eu procurei a vida inteira.
Quero que eles nunca precisem implorar permanência.
Nunca confundam abandono com carinho.
Nunca aceitem migalhas achando que são flores.
Quero que CF ou CJR saiba
que um homem pode ser forte sem deixar de ser gentil.
E quero que Acsa cresça sabendo
que nunca precisará diminuir a própria luz
para ser amada.
Porque eles nascerão de um amor intenso.
Daqueles que atravessam o medo,
as perdas,
as noites ruins,
e ainda escolhem ficar.
E se um dia perguntarem
onde começaram a existir…
A resposta será simples:
Eles começaram aqui
dentro do meu peito,
muito antes de nascerem.