No silêncio que habita o porvir,
há ecos suaves de risos antigos,
pegadas deixadas sem se notar,
nos caminhos de ontem, nossos abrigos.
O tempo avança, implacável e sábio,
tecendo com fios de sonho e verdade,
mas o que floresce no chão do amanhã
é o fruto maduro da saudade.
Lá no futuro, quando tudo for novo,
e os rostos mudarem como o vento do mar,
o coração ainda buscará, ansioso,
as memórias que insistem em ficar.
Não são os dias que se foram em vão,
nem os rostos que o tempo apagou
são as essências, os cheiros, os sons
que em nossa alma fizeram morada e show.
O futuro, enfim, é um livro em branco,
mas as tintas que usamos são do passado;
porque o amor, o riso, a dor e o encanto
são eternos, mesmo que o tempo seja apressado.
E um dia, lá na frente, bem adiante,
entre conquistas, cansaços e idade,
descobriremos, como um velho amante:
que o que mora no futuro é só saudade.