Arremete teu corpo ao espaço aberto,
Procura loucamente o nada e o certo,
Veste-te com a máscara da cizânia!
Mantém teu rosto mau coberto
Ao combateres teu desafeto,
Mostra tua infâmia!
Mates o bem e o amor firas,
Os anseios de paz desfaças em tiras.
Sejas dono, sejas rei,
Tiranizes tua grei
- E sejas infeliz...
Pois te lembres que a verdade é um amplo corpo,
A liberdade apenas seu espectro,
Tua vida somente u’a flama, um porto,
Tortuosa em seus mil caminhos retos...
E não chores quando enfim vitorioso
Se entenderes que o pensamento é chama
E a loucura instalar-se em pleno gozo
Em teus dias, teus amores, tua cama...
Pois o percurso que temos
É seqüência variável
Oscilando entre extremos
À vitória inexorável
De conceitos já passados:
Sentimentos, liberdade;
Um fervor tão arraigado
Num conceito de verdade;
Uma angústia tão premente
- Nós poucos...-
Imbricada em nossas células
De voar alegremente
- Nós loucos! -
Como prosaicas libélulas...