G. Mirabeau

SEQUÊNCIA INEXORÁVEL

Arremete teu corpo ao espaço aberto,

Procura loucamente o nada e o certo,

Veste-te com a máscara da cizânia!

Mantém teu rosto mau coberto

Ao combateres teu desafeto,

Mostra tua infâmia!

 

Mates o bem e o amor firas,

Os anseios de paz desfaças em tiras.

Sejas dono, sejas rei,

Tiranizes tua grei

- E sejas infeliz...

 

Pois te lembres que a verdade é um amplo corpo,

A liberdade apenas seu espectro,

Tua vida somente u’a flama, um porto,

Tortuosa em seus mil caminhos retos...

 

E não chores quando enfim vitorioso

Se entenderes que o pensamento é chama

E a loucura instalar-se em pleno gozo

Em teus dias, teus amores, tua cama...

 

Pois o percurso que temos

É seqüência variável

Oscilando entre extremos

À vitória inexorável

 

De conceitos já passados:

Sentimentos, liberdade;

Um fervor tão arraigado

Num conceito de verdade;

 

Uma angústia tão premente

- Nós poucos...-

Imbricada em nossas células

De voar alegremente

- Nós loucos! -

Como prosaicas libélulas...