Quando vais com ela
Já eu vou com o jarro cheio
Dizes que te vais atirar da janela
Mas é tudo paleio
Não me passas mais a perna
Perdeste todo o meu respeito
A tua vida é tão eterna
Nem sabe de onde ela veio
Tudo o que pinto na tela
É a cara de um patinho feio
Que teve de crescer à pressa
Não teve tempo de cuidar do seu asseio
Sei que queres que a minha queda
Surta o efeito que esperas
Já que tenho a fama que tenha o proveito
Tornar-me um ser imperfeito
Nem que fosse o último à face da terra
Prefiro ser o primeiro de muitos pois pudera
Revelo facilmente o outro lado da moeda
Isso permite-te antecipar os meus devaneios
Que não passam por tocar nos teus seios
Mas sim, viver uma vida de anseios
Vou deixar-me de rodeios
Tens razão, quando vais com ela
Já eu vou com o jarro cheio
Quando vais com ela
Já eu vou com o jarro cheio
Dizes que te vais atirar da janela
Mas é tudo paleio
Não me passas mais a perna
Perdeste todo o meu respeito
A tua vida é tão eterna
Nem sabe de onde ela veio
E eu sinto, a minha cara gela
Quando surjo como um intruso perante a tua, tão singela
É verdade nasci com cabelo à tigela
Mas depois cortei e nunca mais voltou ao que era
Quem me dera que eu fosse o eleito
Desta mentira a que me sujeito
Pois não rejeito, eu aceito
E depois quando a verdade vem ao de cima eu bloqueio
Fico sem jeito, só com a vergonha com que me deito
Um dia eu vou ser o puto tagarela
Que só vive de promessas
Prometo que só digo a verdade e nada mais que a verdade sincera
Sinceramente estou cansado de tanta falta de encanto
Já me conheces de cor, o café que bebo não tem aquele cheiro
A que todos chamam cheirinho, não me interessa
Hoje vou fugir à conversa
Como tem corrido o teu dia? Aposto que tem sido cheio
De trabalho até tens uma compressa
No joelho de uma aparente mazela
Parece que a nossa conversa é um tiroteio
Da maneira como o cenário à volta congela
A minha expressão fica boquiaberta
Estou a ouvir a balada da Gisberta
E o meu coração não se liberta
Vive em plena guerra
Em guerra aberta
Só quem não desiste e persiste, supera
Mas a minha alma não coopera
Quando vais com ela
Já eu vou com o jarro cheio
Dizes que te vais atirar da janela
Mas é tudo paleio
Não me passas mais a perna
Perdeste todo o meu respeito
A tua vida é tão eterna
Nem sabe de onde ela veio
Vivo com um desejo de um beijo
Da escritora e poetisa Florbela
Então a beijo nos livros que folheio
E que são da sua autoria, à luz das velas
Ainda há pouco tempo completei vinte e nove primaveras
E comi um bolo com recheio
Cheio de medo e receio
Fiquei com ele entalado na goela
Sou recluso das ruelas
Por onde eu vagueio
Acendo o isqueiro
Fumo uma erva
Então fraquejo
Assusta-me o que vejo
Em frente ao espelho
Parece muito mas é tão pouco o que tenho
Mesmo nada nesta floresta
Amaldiçoada me resta
Então presta
Presta atenção quando só me enterras
Vamos fazer umas tréguas
Vamos afastar as trevas!
Prometo ser um anjo
Que não se nega
A proteger-te com seu manto branco
Quando vais com ela
Já eu vou com o jarro cheio
Dizes que te vais atirar da janela
Mas é tudo paleio
Não me passas mais a perna
Perdeste todo o meu respeito
A tua vida é tão eterna
Nem sabe de onde ela veio
Tu só podes ser a Cruella
Impões algum respeito
Quando eu chego a casa com a cadela
E te aponto o dedo do meio
Não, tu não és a mulher da favela
Tu és a mulher que todo homem sonha ter no seu peito
Pois tu pões amor num coração de pedra
E que assim não se quebra
Não posso ser alheio
Ao sentimento que se apodera
De mim, e que se gera
Cada vez mais à minha volta, impera!
E mais nenhum sentimento impera como a paixão efémera
Quando revelas o meu segredo eu não queimo
Eu deixo para tu veres como é romance de novela
Não me passas mais a perna
Perdeste todo o meu respeito
Não me terás mais assim tão terna
Num mundo que seja perfeito
A tua alma regressa
Mas a mim já não me alegra
Pensas que foges à regra
Mas és mais um na minha lista negra
Nunca um ranço foi tão verdadeiro
É que a tua alma é tão eterna
Que nem sabe de onde ela veio
Vou ali e já venho