Aqui me encontro.
Piso a linha de partida
e avanço — inteiro.
Fujo da casa em chamas,
levando-a aos ombros.
Vou — energia em carne,
massa em combustão,
corpo que se dispersa
em círculos, espirais.
O cansaço vence.
Aquele estalido —
não o esqueço.
Sou abatido,
o tiro ainda ecoa.
O cervo sagrado
falece no húmus,
sangra.
Da ferida, uma fonte.
Mergulho — mineral, denso —
num brilho de selénio.
Lava vertida
no subterrâneo aberto.
A casa cede,
tomba em silêncio.
Dos escombros, a Fénix —
olhos semicerrados —
vasculha entre estilhaços,
procura e encontra
uma centelha.
Crava-lhe as garras.
Sopra.
Incandescente, rubra —
a matéria devora-se
até desaparecer.
Imóvel, o coração aguarda
um cintilar,
por ínfimo que seja.