Francisco Queiroz

PANDORA

Pandora se fingia de cansada,

presa à guia.

Ao chegar à praça,

da preguiça foi liberta.

 

— Corre, Pandora, corre!

dizia a senhora à sua cadelinha,

como se ela corresse através daquelas pequenas patinhas.

 

Corre, Pandora, corre…

Cada vez mais rápido ela ia.

Corre, Pandora, corre…

 

Pandora, que era só energia, corria!

Assim como os olhos da dona,

que brilhavam de alegria.

 

As duas estavam unidas pelo êxtase.

É muito bom ser feliz fora do seu corpo.

 

Pandora tinha a mesma natureza de um bumerangue:

A toda velocidade,

voltou ao colo de sua dona.

 

Ofegante,

o som do coraçãozinho,

a mil.

 

Pandora,

agora cansada,

não se fingia.