— Eu te amei demais por muito tempo.
— Você ficou em silêncio até agora para já começar a falar assim?
— É que, quando guardamos tudo por muito tempo, chega um momento em que as coisas simplesmente saem do jeito que precisam sair. Eu te amei tanto, por tanto tempo, e quando finalmente achei que podia seguir em frente... vi que eu nunca tinha saído dali.
— E por que diz isso?
— Porque provei outra boca depois de muito tempo. Eu ousei...
— Continue, diga.
— E, depois de muito tempo, vi que era a sua boca que eu ainda queria. Mesmo não lembrando mais o gosto dela, mesmo não sabendo mais os movimentos... enquanto beijava outra boca, lembrei da sua.
— Por que ainda lembra de mim?
— Porque, tentando seguir em frente, eu ousei. Ousei beijar outra boca, provar outro corpo, mas é o seu que eu quero. É a sua boca que me faz ficar louca de verdade. Qualquer outra coisa que eu possa ousar ter depois de você é só um episódio curto de prazer. Talvez o prazer não venha do ato, mas da vingança de finalmente conseguir estar em outros braços que não sejam os seus. Uma vitória, talvez. Mesmo sabendo que ela acabaria logo, assim que a derrota de lembrar que sou completamente sua viesse.