Ergui-te em mim como um templo escondido,
Feito da luz que meus dias continham;
E os teus passos, tão calmos quando vinham,
Traziam paz ao meu caos adormecido.
Mas veio o tempo, cruel e distraído,
E inundou corredores que sorriam;
Hoje as marés, silenciosas, anunciam
As torres do que fomos, já perdido.
Mesmo assim, quando a noite vem sozinha,
Ainda escuto um canto sob as águas,
Chamando o peito àquilo que definha.
Talvez amar seja aceitar as mágoas:
Não destruir o mundo em nossa linha,
Mas deixar que ele nos destrua em águas.