Esse texto vai ser um pouquinho diferente…
Talvez mais como um velho manuscrito esquecido,
ou uma nota abandonada no banheiro de um bar qualquer do Recife.
Só queria dizer que me sinto cansada.
Tipo… muito cansada.
É quase como uma dor constante,
dessas que ficam silenciosas dentro do peito
e vão queimando devagar.
Eu sei que meus erros foram ridiculamente idiotas.
Sei que escolhas têm consequências
e que toda essa merda volta como karma.
“A gente colhe o que planta”, não é?
E talvez eu esteja finalmente colhendo.
Eu escuto coisas sobre mim o tempo todo.
Que sou uma pessoa ruim.
Má.
Mentirosa.
Cínica.
Egoísta.
Talvez eu tenha sido mesmo.
Mas eu deveria doer tanto ouvindo isso?
Porque eu sinto.
Sinto cada palavra como se ela encontrasse exatamente
a parte mais cansada de mim.
As pessoas dizem coisas na raiva.
E eu também disse.
Eu fiz.
Eu feri.
E acho que essa é a pior parte:
perceber que, mesmo amando alguém,
eu consegui machucar esse amor
até transformar ele em alguma coisa frágil.
Um amor de papel.
Bonito de longe.
Mas incapaz de sobreviver ao fogo,
à chuva,
ao peso das próprias mãos.
E eu me sinto tão cansada de me sentir uma namorada ruim,
uma filha ruim,
uma neta ruim,
uma amiga ruim…
Ou qualquer versão de mim
que fizeram questão de escrever no papel
antes mesmo de me conhecer de verdade.
Passei tanto tempo tentando caber nas expectativas dos outros
que acho que desaprendi quem eu era sem elas.
E no meio disso tudo
acho que também te machuquei tentando sobreviver aos meus próprios medos,
ao meu orgulho,
à minha raiva,
à necessidade absurda de controlar tudo
pra não perder ninguém.
Mas controlar também destrói.
E eu destruí coisas.
Destruí momentos.
Palavras.
Confiança.
Talvez até partes suas.
E isso me dói mais do que eu consigo admitir em voz alta.
Sua dor me machuca.
Sua mágoa, sua raiva, seu ódio,
suas meias verdades, suas palavras…
Tudo isso me machuca.
Não porque sejam mentiras.
Mas porque fui eu quem fez esses sentimentos nascerem em você.
E pensar nisso me destrói.
Me dói perceber que esse meu amor
talvez tenha começado a te fazer mal.
E eu tô aceitando isso aos poucos.
Aceitando que talvez amar alguém
também seja entender a hora de ir embora.
Ou talvez eu só esteja cansada demais
pra continuar fingindo que ainda sei salvar alguma coisa.
Não sei.
Só sei que tô escrevendo isso chorando
e tentando entender em que momento
eu transformei carinho em confusão,
medo em controle,
e amor…
em tempestade.
Porque você era abrigo
enquanto eu agia feito uma tempestade.
Agora eu olho pra tudo isso
e já não sei mais quem eu sou.
Não sei se meus sonhos ainda são os mesmos.
Não sei se ainda quero toda essa luta,
todos esses machucados,
essas guerras emocionais que nunca acabam.
Só sei que tô cansada.
Cansada de fugir.
Cansada de mentir pra mim mesma.
Cansada de transformar amor em medo.
E talvez o pior sentimento do mundo
seja perceber tarde demais
que algumas pessoas eram casa
enquanto você destruía tudo tentando não ser abandonada.
Hoje eu só me sinto assim:
Refém da minha própria paixão,
tentando segurar nos dedos
um amor feito de papel.