Tem um lugar em mim
que se curva ao teu nome
como quem reconhece autoridade…
e treme.
Não de medo
mas de desejo.
Porque quando penso em você,
não é só o coração que dispara,
é o corpo inteiro que responde,
como se já soubesse
onde pertence.
Eu me rendo…
no jeito que te escuto,
no jeito que te sinto mesmo de longe,
no jeito que minha vontade
silencia só pra caber na tua.
E Deus sabe…
o quanto eu queria não parar nisso.
Queria atravessar essa linha invisível,
sentir tua presença sem distância,
deixar teu toque desenhar em mim
tudo aquilo que a gente evita dizer.
Porque existe um fogo
baixo, constante, perigoso…
que acende toda vez que você chega \'\'perto\'\',
toda vez que tua voz me alcança
e me puxa pra esse lugar
onde eu quase esqueço de tudo.
Quase.
Mas eu paro.
Paro com o peito quente
e a respiração descompassada,
porque ainda existe um “não agora”
ecoando mais alto que o meu querer.
E isso me enlouquece…
porque eu sei o que eu seria pra você.
Submissa no olhar,
inteira na entrega,
tua em cada detalhe que ninguém vê.
Eu sei como eu encaixaria.
Como eu cederia.
Como eu queimaria nas tuas mãos
sem resistência nenhuma.
Mas ainda não posso.
Ainda não sou
quem precisa ser pra viver isso sem culpa,
sem peso,
sem romper aquilo que te sustenta.
Então eu fico assim
acesa…
controlada…
te desejando em silêncio.
Porque quando for permitido,
quando Deus disser “agora”…
não vai ser só amor.
Vai ser intensidade,
vai ser entrega,
vai ser tudo aquilo
que a gente segurou até aqui
explodindo no tempo certo.
E você vai entender…
por que eu esperei.
Que não era só desejo.
Era destino esperando permissão.