Hoje minha agenda
é o vazio manso das horas.
Cheguei ao trabalho
como quem chega a um jardim silencioso,
não para correr,
mas para repousar a alma
cansada dos excessos do mundo.
E descobri, mais uma vez,
que o cotidiano também é milagre.
Há uma beleza escondida
na rotina sem alarde:
no café morno,
na música suave atravessando o dia,
na cadeira conhecida,
no tempo que não exige pressa.
A rotina me embala
como canção antiga
que já conhece meus silêncios.
Ela me devolve ao eixo,
ao transe sereno da existência,
onde viver não pesa,
apenas acontece.
E então percebo:
felicidade talvez seja isso —
um feriado dentro do peito,
mesmo em plena segunda-feira.