O TRILHO DO TEMPO
As linhas cortando a praça
São como mapas e divisas
que guardam antigos pretéritos
E os sonhos que já se foram
Que agora repousam quietos.
Já foram portos de muitos
Chegando, ficando ou partindo
Trazendo ou deixando saudade
Chorando e às vezes sorrindo.
Ainda estão lá como marcas
Fincadas a ferros
Sobre os dormentes.
E as flores que nascem
nas suas beiras
Revelam que não voltam mais quando formam floradas rasteiras
As linhas cortando a praça
Em paralelas perfeitas
São as mesmas por onde passei
São encantados metais
Que nunca perderam o encanto
E mesmo sendo orla sem mar
Ainda são tão reais
Porque traz tanto acalanto
E ao mesmo tempo umbrais
Atravessando tempo
Que hoje nem mesmo o tempo
talvez nem se lembre mais!