Carlos Lucena

O TRILHO DO TEMPO

O TRILHO DO TEMPO

As linhas cortando a praça
São como mapas e divisas 
que guardam antigos pretéritos 
E os sonhos que já se foram
Que agora repousam quietos. 
Já foram portos de muitos
Chegando, ficando ou partindo
Trazendo ou deixando saudade 
Chorando e às vezes sorrindo.
Ainda estão lá como marcas
Fincadas a  ferros 
Sobre os dormentes.
E as flores que nascem 
nas suas beiras
Revelam que não voltam mais quando formam floradas rasteiras

As linhas cortando a praça
Em paralelas perfeitas 
São as mesmas por onde passei
São encantados metais 
Que nunca perderam o encanto
E mesmo sendo orla sem mar
Ainda são tão reais
Porque traz tanto acalanto
E ao mesmo tempo umbrais
Atravessando tempo
Que hoje nem mesmo o tempo 
talvez nem se lembre mais!