G. Mirabeau

SAUDADES DE MIM

Mas que saudades do tempo

Do Idealismo e do Romantismo

Em que eu teria o futuro que quisesse!

O tempo da Esperança

No qual eu tinha meus mitos e gurus,

- Não conhecia os homens nus!...

 

Quando sentia no peito

Um vazio meio sem jeito,

Cheio de emoções...

Sensações alucinantes,

Fortes e bem marcantes,

Uma tristeza esquisita

De choro quase incontido,

Nostalgia sem sentido

Gostosa de se sentir...

 

Mas que saudades do tempo

Do meu futuro brilhante!

Do tempo quando pensava

Que o mundo era só aquilo:

Eu no meio abrindo a estrada,

Heróico e bom cavaleiro

Pelejando contra os ventos,

Os maremotos e tormentas,

Vencedor condescendente,

Herói de mil batalhas...

As mulheres a meus pés,

O amor profundo e fino

Penetrando como um hino

Os poros de meus anseios;

A paixão triste e dolente

Enchendo o peito da gente

De amor inesgotável,

Meu sangue água potável

A toda uma romaria

De sede saciaria...

 

Mas que saudades do tempo,

Revendo em meu pensamento,

Da importância que tinha,

Ou pensava ter...

 

Não sei se é melhor agora.

Mas se fui feliz,

Decerto,

Naquele tempo, - como nunca! -,

Estive perto...

 

Ou quem sabe o tempo nunca é tarde

E talvez não tenha sido suficientemente esperto

P’ra saber que alegria é ser na hora exata

O que se é a cada momento, errado ou certo...