Mas que saudades do tempo
Do Idealismo e do Romantismo
Em que eu teria o futuro que quisesse!
O tempo da Esperança
No qual eu tinha meus mitos e gurus,
- Não conhecia os homens nus!...
Quando sentia no peito
Um vazio meio sem jeito,
Cheio de emoções...
Sensações alucinantes,
Fortes e bem marcantes,
Uma tristeza esquisita
De choro quase incontido,
Nostalgia sem sentido
Gostosa de se sentir...
Mas que saudades do tempo
Do meu futuro brilhante!
Do tempo quando pensava
Que o mundo era só aquilo:
Eu no meio abrindo a estrada,
Heróico e bom cavaleiro
Pelejando contra os ventos,
Os maremotos e tormentas,
Vencedor condescendente,
Herói de mil batalhas...
As mulheres a meus pés,
O amor profundo e fino
Penetrando como um hino
Os poros de meus anseios;
A paixão triste e dolente
Enchendo o peito da gente
De amor inesgotável,
Meu sangue água potável
A toda uma romaria
De sede saciaria...
Mas que saudades do tempo,
Revendo em meu pensamento,
Da importância que tinha,
Ou pensava ter...
Não sei se é melhor agora.
Mas se fui feliz,
Decerto,
Naquele tempo, - como nunca! -,
Estive perto...
Ou quem sabe o tempo nunca é tarde
E talvez não tenha sido suficientemente esperto
P’ra saber que alegria é ser na hora exata
O que se é a cada momento, errado ou certo...