Fábio Alves Leão

MEMÓRIAS

Nos anos noventa, quando o mundo era mais simples,

Meu coração dançava ao som de fitas cassetes,

As calças largas e os tênis coloridos,

Era uma época de sonhos e risos compartilhados.

 

Nas tardes ensolaradas, eu andava de bicicleta,

Pelos bairros tranquilos, sem pressa ou meta,

As ruas eram trilhas de aventura e descoberta,

E a saudade daquela década é uma ferida aberta.

 

Lembro-me das festas com luzes piscantes,

Das coreografias ensaiadas com amigos vibrantes,

Das paixões adolescentes, dos bilhetinhos dobrados,

E das tardes de chuva, quando o mundo parecia abraçado.

 

Meu coração não aguenta tanta saudade,

Dos filmes VHS, das revistas de celebridade,

Das cartas trocadas, dos telefones com fio,

E da sensação de que o tempo passava devagar, tão vazio.

 

Nas festas de garagem, luzes coloridas piscavam,

E os corações batiam no ritmo das músicas que amávamos,

Os fliperamas eram nossos templos de diversão,

E os desenhos animados nos transportavam para outra dimensão.

 

As tardes de sábado eram regadas a desenhos na TV,

E os pagers vibravam com mensagens de \"beep beep\",

As roupas neon e os óculos redondos,

Eram símbolos de uma década que ainda ecoa em nossos sonhos.

 

Meu coração não aguenta tanta saudade,

Das fitas VHS rebobinadas com ansiedade,

Dos tamagotchis e das revistas em quadrinhos,

E dos momentos simples que hoje parecem mágicos e únicos.

 

Tínhamos a energia da juventude e a esperança no futuro

Restaram decepção, medo e ansiedade depois dos quarenta

Hoje, cada dia é pior, estou mais inseguro

Meu coração não suporta tanta saudade dos anos noventa

 

Os anos noventa continuam a inspirar nossas emoções,

Meu coração dança, nostálgico, solitário e carente,

Como uma doce melodia ainda na memória das estações

Ao som daquela década que foi tão envolvente.