Somos verdadeiramente abençoados pela vida
O sorriso voluntário da criança meiga
A honestidade do empregado novato
Depreciamos esses encantos imaculados
no vértice de cada gesto gritado silenciosamente
numa mera ausência da falta de sentidos
nos levando a assumir a inverdade
O olhar triste da senhora vizinha fofoqueira
a procura de notícias vira notícia matinal
Capulana que voa no corpo pequeno da criança
Os gestos magistrais do andar bamboleante
da moça da esquina do lado da vizinha
Mesmo assim conseguimos seguir em frente
E sorrimos no encanto dos pássaros cantantes
Milagrosamente escolhidos nestes encantos
Caímos duros nos surpreendemos esguelhando
O sono profundo do pequeno ser humano
e nos lembramos da bênção que temos na vida
Imagno Velar