Passei quase a vida inteira
Escrevendo poemas
Para em seguida, descartá-los
Porque nao os julgavam bons
Rasgava minha alma
Para descobrí-los entre palavras
Para depois lançá-los fora
Em bolas de papéis
Mas hoje, estranhamente
Ouvi a voz de um deles
Antes de de jogá-lo ao lixo
Ele abriu um portal no tempo
E pude ver do outro lado
Uma massa de poemas perdidos
Eles me olhavam de volta
Com uma esperança improvável
Nao carregavam rancores consigo
Nem cobravam de mim, o abandono
Era apenas um mar de poesia
Dentro do mar da minha solidão
Todos haviam me visitado
Nos meus momentos mais sensíveis
Para me estenderem a mão
Ou cobrir de abraços meu coração
Poemas de diversas belezas
Que vieram ao meu socorro
Ou para minha alegria e gozo
E para dar uma paz necessária
Vendo-as ali diante de mim
Eu vi o universo inteiro
E que tudo, e todos fazem parte
De um único poema
Uma peça que o tempo escreve
E eu sou apenas um tolo
Que acreditava que era melhor
Do que a perfeição
Antonio Olivio