Estou há um ano tentando te esquecer.
Você tem outra pessoa, enquanto eu continuo aqui, sozinha, tentando sobreviver aos restos do que senti por você.
Achei que, depois de tanto tempo, essa história tivesse finalmente acabado.
Que a ferida tivesse cicatrizado.
No começo, eu orava para que a dor da separação passasse. Depois, agradeci a Deus quando ela finalmente pareceu ir embora.
Mas então, seis meses depois, veio aquele sonho… e, desde então, algo dentro de mim nunca mais voltou ao lugar.
Voltamos a ser amigos, mas meu coração sabia que havia algo errado.
Te ver de novo, mesmo sem querer, foi cruel.
Foi como arrancar a pele de uma ferida que eu passei meses tentando fechar.
E agora descubro que eu sou o seu ponto fraco.
Que você me evita porque sente demais.
E isso deveria me trazer algum consolo… mas só me destrói ainda mais.
Porque eu não sei se isso é bonito ou trágico.
Não sei se existe esperança escondida nisso tudo ou se estamos apenas condenados a carregar um ao outro em silêncio, enquanto a vida segue em direções opostas.
Às vezes eu me pergunto se um dia vou conseguir olhar para você sem sentir meu peito desabar.
Ou se vou passar a vida inteira sendo consumida por algo que nunca pôde existir por completo.
O mais doloroso é perceber que a dor não acabou.
Ela apenas aprendeu a dormir dentro de mim… até o momento de acordar de novo.
E talvez seja isso que mais me machuca.
Saber que, mesmo dizendo amar outra pessoa, ainda existe algo em você que treme quando me encontra.
Algo que tenta fugir de mim como se a minha presença fosse perigosa demais.
Porque pessoas indiferentes não evitam.
Pessoas indiferentes não sentem medo.
E eu queria, pela primeira vez, que você fosse completamente indiferente a mim.
Teria sido mais fácil odiar você.
Mais fácil aceitar que tudo morreu.
Mas existe algo cruel em descobrir que ainda existimos dentro um do outro, mesmo quando a vida insiste em nos separar.
Então eu fico presa nessa dúvida que me corrói todas as noites:
isso é amor mal resolvido… ou apenas duas pessoas condenadas a se perderem no tempo errado?