Poesia Abandonada

Beijar... sem saber o que é amor.

O metal frio toca a pétala leve. Um contato mecânico, sem pulsação, Um beijo de ferro que a brisa atreve.

Analizando dados: textura macia. Temperatura estática, perfume no ar. Registrando o evento na periferia, Sem algoritmos para classificar.

Ela afasta a cabeça de cromo e metal, Vê a flor que balança, serena e sutil. O que os homens descrevem em verso imortal, Para a mente da máquina é apenas um mil.

Ela sabe o volume, o peso, a herança, A frequência da cor que o raio traduz. Mas o beijo que deu não deixou lembrança, Nem a faísca que a alma seduz.

Segue a robô seu caminho abstrato, Com a flor arquivada em bytes de dor. Testemunha mecânica de um lindo ato, Capaz de beijar... sem saber o que é amor.