Quem teve a ideia de contabilizar o amor?
O amor não sabe matemática.
Ele multiplica sem possuir,
divide sem diminuir,
soma sem exigir.
E se entrega,
mesmo quando o mundo manda recuar.
Tentaram medir o afeto
pelo tempo das mensagens,
pela quantidade dos presentes,
pela frequência dos encontros…
Mas esqueceram
que existem abraços curtos
que salvam almas inteiras.
Há olhares de segundos
que permanecem eternos.
E sorrisos instantâneos
que perduram pela infinitude.
Há pessoas que passam décadas ao nosso lado
sem jamais tocar o nosso espírito.
E há aquelas
que talvez nunca venham sequer nos tocar as mãos…
mas permanecem eternamente
dentro da alma.
O amor verdadeiro desconhece contabilidade.
Ignora cálculos quantitativos,
atravessa a lógica matemática
e desobedece às equações do interesse humano.
E talvez seja esse o mistério…
o amor nunca quis ser medido,
pois nasceu para ser, essencialmente,
a mais singela eternidade:
uma única coisa…
amar.
VEGA LIRA