Meu olhar perdido no infinito,
num céu de outono, manso e bonito,
vaga em silêncio, quase sem dono,
como quem sente o peso do abandono.
Procuro em mim aquilo que esqueci,
um traço antigo do que já fui,
um sopro leve, quase secreto,
que vive escondido no meu afeto.
Caminho só, entre nuvens vazias,
tecendo dúvidas, desfazendo agonias,
tentando achar no que não se vê
um pedaço inteiro de ser eu, de ser.
E nesse azul que parece não ter fim,
descubro aos poucos algo em mim:
que o desconhecido que tanto persigo
talvez seja só eu mesmo comigo.