Só e distante, muito para lá da lembrança,
metamorfose falida. Amamentado com a doce amargura,
lembro vagamente o querer.
Plantei-o, em tempos, num pequeno vaso;
por falta de cuidado ou demasiado esmero, definhou.
Tombou e gelou.
Sepultado foi ao terceiro dia, num glacial profundo,
lá onde a ausência mora.
No inconsciente, tornou-se semente;
plantei-o no nada, cresceu...
Hoje, é feito de nuvens.
Por vezes olho-as no alto:
por vezes parecem moinhos,
ou gigantes ameaçadores,
outras, algodão-doce nas mãos de um qualquer petiz.
Observo...
Deixo-me levar.
Seria bom ver borboletas coloridas,
talvez uma casa,
uma cama no quarto dos fundos.
Repouso a face na almofada branca que se afunda,
ouço o som de um riacho,
observo a criança que se deleita no seio de sua mãe.
Tudo era bom...