Ester Araújo

Entre o amor e a dor

É fácil amar
quem nunca nos atravessou com a dor.


Fácil abraçar
quem nunca deixou ausência
mesmo estando perto.

 

Mas quem somos
quando o corte vem do outro?

 

Quando a decepção tem nome,
rosto,
memória.

 

Quão perto de Deus alguém está
quando escolhe não devolver a ferida.

 

Porque o outro também cai.
Também falha.
Também sangra escondido.

 

E talvez o perdão
não seja bondade.

O perdão é a memória viva

de que todos nós precisamos de graça
mais vezes do que merecemos.

 

Talvez seja apenas

a lembrança humilde
de que, sem misericórdia,
nós também seríamos imperdoáveis.