É fácil amar
quem nunca nos atravessou com a dor.
Fácil abraçar
quem nunca deixou ausência
mesmo estando perto.
Mas quem somos
quando o corte vem do outro?
Quando a decepção tem nome,
rosto,
memória.
Quão perto de Deus alguém está
quando escolhe não devolver a ferida.
Porque o outro também cai.
Também falha.
Também sangra escondido.
E talvez o perdão
não seja bondade.
O perdão é a memória viva
de que todos nós precisamos de graça
mais vezes do que merecemos.
Talvez seja apenas
a lembrança humilde
de que, sem misericórdia,
nós também seríamos imperdoáveis.