Voz em Suspenso

A permanência dos que vão

Você apareceu como quem não quer nada
e, ao mesmo tempo, como quem quer tudo.

Assim como um passarinho
que não foi feito pra estar na gaiola,
mas um dia pousa numa janela
aparentando querer gaiola.

Canta, encanta…
mas depois vai embora.

Me admiraria
se essa tivesse sido a primeira vez.

Acho que errei
em não ter te questionado quando você apareceu.

No passado,
você já havia dispersado
assim como dessa vez.

Talvez eu tenha me enganado
quando achei que passarinho e humano
se alinhariam outra vez.

Quando um foi feito pra voar
e o outro pra permanecer.

Porque ninguém vai embora
de repente.

E quem fica,
às vezes até chora.

Mas um dia aprende
que aquilo que fizeram com você
só aconteceu
porque você abriu as portas.

Afinal,
um coração fechado
nunca fica em pedaços.

Porque não houve brechas
pra que ele fosse despedaçado.