Recolher-te em mim,
Sinto-te ingênua e criança.
Então como quiseras abrir o peito
Se tantas feras e o mundo estreito,
(De tão falsa amplidão!),
Acolhem-te e aquecem-te
Em sua goela ofídia,
Em suas entranhas quentes e fatais?!...
Então como quiseras lançar-te ao alto
Se as belas raízes de mognos seculares
Mais ao solo prendem,
Mais limites impõe?...
Então como quiseras lançar-te ao mar das verdadeiras liberdades
Se qualquer vibração,
Anseio ou pensamento,
Transforma em maremoto
O disposto, certo, satisfeito?...
Então como quiseras ir em frente ao tempo?...
Pois só o momento
E antigos pensamentos
Se permite ao tempo
Neste tempo agora...
Como buscas em mim
A força de mil batalhas
Que travei com os ventos
Se, tola, não sabes:
Que em mim contenho
Mais de mil mortalhas,
Mais de mil desonras...?
Pois aprende logo:
Ao inimigo deves dar o mel
Que quando ingerido
Este o fel prefira.
Imbricada ao corpo,
Deves ser a mola
Mais inaparente e mais fundamental
E solta-te...
Fecha então teu peito!
Volta pro teu leito
E já te transforma
Num camaleão!