#Poema do dia que segue o grito
Claudio Gia, Macau, RN 14 de maio de 2026
O dia amanhece sem algema à vista,
mas o seguro aperta o nó na renda —
Fides canta pacto, o povo empresta a costa,
e o lucro esfria a mesa mais acesa.
Da varíola à vacina que repousa
no braço que já teve outra corrente,
hoje o medo é vírus, a razão é rouca,
e o frasco cheio vale menos que o poente.
No pós-abolição sem sobrenome,
o mercado urde o mesmo cativeiro:
o salário é senha, o aluguel é grilhão,
e o negro — livre — ainda é o primeiro.
São Matias vira o olhar na prateleira,
Pacto de Varsóvia é pó de arquivo.
O que resta é o dia bruto, a fila inteira,
e a coragem de dizer: ainda não chego cativo.